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Atendimento do CRAI, modelo para o país, é tema do Seminário sobre abuso sexual de crianças e adolescentes


O trabalho realizado no Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (CRAI) foi o destaque no segundo painel do seminário de lançamento da campanha Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes ¿ O Problema é Nosso, que acontece no Palácio da Justiça. Foram palestrantes a coordenadora do CRAI, Psicóloga Eliane Soares, e a Perita Angelita Machado Rios.

O painel foi conduzido pelo Juiz da Infância e Juventude de Porto Alegre, Marcelo Mairon Rodrigues, e contou, como debatedoras, a Promotora Denise Casanova Villela e a Juíza da 6ª Vara Criminal do Foro Central, especializada em crimes sexuais contra crianças e adolescentes, Tatiana Gischkow Golbert.

Referência

Instalado em 2001, nas dependências do Hospital Materno Infantil Municipal Getúlio Vargas, na capital gaúcha, o CRAI é referência nacional no serviço, que presta acolhimento e cuidado a crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. Segundo a coordenadora do centro, trata-se de caso único no país de integração entre equipamentos de saúde e segurança com esse objetivo.


No painel, especialista alertou para a volta de doenças
como sífilis e herpes genital, decorrentes de abusos

Para o atendimento dos jovens, o centro concentra equipes de saúde (do hospital), de perícia (IGP) e de investigação (Delegacia da Criança e do Adolescente), o que evita o que Eliane chama de "peregrinação" da vítima e que casos sejam perdidos. O pronto-atendimento recebe casos agudos de violência, como estupros, e que já tenham registro policial.

A coordenadora destaca a prioridade que se dá à saúde das vítimas que chegam ao local, com acesso a todas as especialidades oferecidas pelo centro hospitalar - inclusive procedimentos cirúrgicos e exames. Em 2015, cerca de 1700 atendimentos foram realizados no CRAI - média que vem sendo mantida -, entre novos casos, perícias físicas e psíquicas e registro de ocorrências.

A importância do depoimento

Angelita Machado Rios é perita no CRAI e falou ao público, formado por operadores do Direito, sobre o trabalho desses profissionais junto às jovens vítimas de abusos sexuais. Alertou para o (re)surgimento "de forma acelerada" de doenças sexualmente transmissíveis como sífilis e herpes vaginal, um dos aspectos analisados no exame físico, essencial para a verificação de provas de abuso.

Enquanto estes exames físicos são feitos em postos espalhados pelo do Estado, as perícias psíquicas são possíveis apenas em Porto Alegre, no CRAI - realizados por seis peritos. Conforme Angelita, esse exame psíquico visa à criação da prova mais robusta possível: "A memória da vítima é um corpo de delito", define a médica.

Sobre os tipos de depoimentos, explica que, em geral, o mais eficiente é o relato livre, livre de induções sobre a vítima. Segundo ela, não há sintomas específicos que denotem o abuso sexual, mas fatores como perda de desempenho escolar, irritabilidade, choro fácil, ansiedade podem ser indícios de problemas.

O tempo também é fator fundamental para a exatidão do depoimento. Explica que, com passar do tempo e a possível intervenção de terceiros - às vezes o próprio agressor, além de fatores econômicos - as vítimas tendem a preencher lacunas de memória com falsidades, invenções. "Às vezes, não falar a e não lembrar pode ser uma proteção da vítima", completou Angelita.

O painel integra o Seminário Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, evento dentro da  2ª Semana do Depoimento Especial, que ocorre de 15 a 21 de maio de 2017. Confira no link a seguir:

2ª Semana do Depoimento Especial.


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